Ao acordar, tudo estava girando, e uma mulher toda de branco, estava limpando meus cortes da perna e os do braço, estavam enfaixados. Ela sorriu para mim. Até que eu falei.
Eu: Cadê a Juliana? Quem é você?
Mulher: Foi na loja aqui da esquina, comprar uns alimentos para você. A minha filha daqui a pouco volta. Eu sou a mãe dela... Me responde só uma coisa, você não come e nem bebe desde que horas?
Eu: Desde ontem de noite.
Mulher: Minha querida, você não pode fazer isso. Agora descanse. Vou passar umas três semanas aqui para cuidar de você e impedi-lá de se cortar mais uma vez. Pode deixar, que eu já combinei tudo com a Jú, e nós decidimos não contar nada aos seus pais, pois é isso que você quer. Certo?
Fiz sinal positivo e fiquei quieta vendo a facilidade que ela tinha para tratar de ferimentos. Ela se levantou e foi até a cozinha. Até mim, trouxe uma panela fervendo e apoiou no chão. Mergulhou lá a gaze e foi tratando o ferimento. Senti muita dor e gemi. Ela olhou para mim e eu fiz umas caretas estranhas. Nesse momento, a Jú vinha abrindo a porta e trazendo uma penca de bolsa. Ela olhou pra mim e sorriu, fiz uma expressão delicada, e ela foi pondo as coisas na cozinha. Veio até mim e me deu um beijo na testa. Senti aquele lábio doce que estranhamente, me fazia sentir segura. Estava tudo muito quieto, até que Juliana quebrou o silêncio:
- Tina, se preocupa não. Você está segura com a dona Carmem aqui, pode deixar que ela vai cuidar muito bem de você! E conte comigo também. Ficaremos aqui por umas 3 semanas, depois minha mãe retorna ao trabalho, e eu tenho que voltar a estudar... Tudo bem?
Quando Juliana terminava de falar, a dona Carmem, terminava de fazer os curativos e se direcionou para a cozinha para jogar os restos de pano fora.
Eu: Tudo bem.
Dona Carmem, trouxe até mim uma calça bem larguinha e leve para eu usar. Pus a calça e me deitei. A blusa que eu estava, já tinham arrancado as mangas. E como estava frio, Juliana tinha pego um edredom e se sentou no sofá. Logo após, nos cobriu e ficamos vendo TV. Cerca de meia hora depois, dona Carmem veio até mim com uma sopa bem rala. Me sentei e comi tudo. Estava uma delícia! Mas confesso, a fome era muita... A tarde eu dormi praticamente toda, e a noite eu passei chorando. Assim se passou as 3 semanas: curativo, TV, comida, banho, sono, choro... Minha vida já tinha parado. Na terceira semana, Jú estava de partida com dona Carmem. Agradeci por tudo e ela disse que tinha bastante sopa na geladeira e que era para eu comer umas frutas que ela havia deixado para mim. Disseram que na próxima semana viriam e me ajudariam. Concordei com tudo, mais não fiz nada do que elas pediram. Confesso que depois que elas foram, eu sói chorei, chorei, chorei, chorei.... Chorava e não levantava da cama pra nada, ali eu fazia minhas necessidades básicas, não sentia sede e muito menos fome. Meus machucados só pioravam, não tinha mais oque fazer com eles. Até que uma pessoa enviada de Deus, veio até mim.
Ouço a campainha tocar.
Uma voz grita: Olá, sou sua vizinha daqui da frente... Posso entrar? A porta está encostada...
Eu: Fique na sala, já vou...
Me levantei da cama um pouco zonza, vi tudo girar. Gritei por ajuda e desmaiei.
Quando acordei, estava no sofá e a suposta vizinha na minha frente sentada.
Vizinha: Você desmaiou. Oque tá acontecendo com você? Eu nunca mais tenho te visto na rua nem pela janela. Está tudo sempre trancado. Oque você tem? Eu quero te ajudar...
Eu: Eu, eu... eu tô bem, não preciso de nada eu só... - Tentei me levantar, mas quando me levantei, corri para o banheiro e vomitei.
Vizinha: Meu Deus, calma, eu tô aqui. Como você se chama ? Eu me chamo Anny- Correu a vizinha entrometida para o banheiro me ajudar.
Eu: Me chamo Valentina. - Respondi depois de tanto vômito.
Minha sorte naquela hora, que deu tempo de chegar no banheiro, se não "adeus carpete novo". Quando aquilo tudo parou, olhei para Anny. Ela era linda! Seus olhos eram cor-de-mel e sua boca parecia macia. Seus cabelos sedosos, me seduziram e eu repentinamente sorri. Vi que nela, havia uma coisa que me pertencia.Não sabia oque era. Mais uma certeza havia comigo: Ela me pertencia. Aquela harmonia, me pertencia.
Anny: Você está bem?
Eu: Melhorando... Estou farta de fome. Não como há uma semana - Respondi, olhando para baixo.
Anny: Espere um pouco. Tome um banho, enquanto isso, dou uma passada aqui em frente, na minha casa e pego um lanche para comermos e trago minha filha para você ver. -Concordei-

Enquanto ela foi para a sua casa, eu tomei banho, coloquei uma roupa linda e me arrumei. Sobrou um tempo pra organizar a casa e meu quarto que tava um nojo. Fiz. Até que não ficou nada mal. Quando terminei de arrumar tudo, me sentei no sofá e fiquei esperando por ela. Até que a campainha tocou, e eu atendi. Era ela. Estava linda! Tinha tomado banho e trocado de roupa. estava com uma vasilha na mão. Sorri para ela e ela sorriu para mim. Sentamos no chão da sala e ficamos comendo bolo enquanto viamos um filme que ela pusera para nós. O filme era um romance lésbico. A sua filha Francielly estava dormindo no quarto dos fundos. Comemos tudo e no meio do filme, no chão ela se aproximou de mim e eu sorri. Até que ela me abraçou e eu me virei para ela. Ela com seus doces e macios lábios, me roubou um tímido beijo. Retribuí com um beijo bem picante e ali, no chão deitamos e ficamos nos beijando por cerca de meia hora, até que ela começou a arrancar minha roupa, e então o clima foi esquentando. Até que fizemos amor. Amor bem gostoso. Amor recheado de tesão.

Quando terminamos, ela me perguntou porque tantos cortes e quando fui responder, fiquei muito enjoada e corri para o banheiro. Vomitei muito. Até que quando estava indo para a sala, um enjoo veio muito forte e então desmaiei. Acordei com os barulhos de Francielly. Anny estava preocupada e disse que eu poderia estar grávida. Eram todos os sintomas: Enjoo, desmaio, desânimo... Eram todos eles. Me espantei e falei:
Eu: Não, eu não posso estar grávida daquele ser asqueroso !
Anny: Você tem que assumir oque faz Vallentina. Eu por exemplo, tive que assumir a Francielly. Não me arrependo, mas que eu poderia ter controlado o meu desejo, eu poderia.
Eu: Não, eu não fiz nada, eu... eu, fui forçada a fazer.
Anny: Como assim, quer dizer que... isso?
Eu: Sim, isso mesmo.
Anny: Calma Vallentina, estou aqui. Para oque der e vier. Tome -Pegou um teste de gravidez na bolsa e me deu- e faça. Vamos lá no banheiro, eu te ajudo.
Peguei e fomos. Chegamos lá, fiz e Anny me ajudou com tudo. Aquilo era complicado demais, e para minha infelicidade -no momento-, eu estava grávida. Vou confessar: Tive vontade de chorar, mais agradeci à Deus por aquela oportunidade. Até que eu fiquei mais feliz do que o esperado, aliás: Ficar grávida e ter uma família era meu sonho. Mas.... Que família era aquela? Família tem que ter um homem não? Não. Só se é família se você ama. Não importa se é de duas ou de duzentas pessoas. Se amar, é família.
Eu: Preciso ligar para a Jú!
- Peguei o celular e esperei ela tender.- Jú, olha, passa aqui quando der, tá?
Tina: Tá bom Tina, vou só terminar essa tatuagem, e fazer mais duas. Aí meu turno acaba e eu passo por aí. Na verdade, já iria passar mesmo. Beijos, vou esperar ansiosíssima!
Eu: Beijos. esperarei
- Sorri, desliguei.